Se dando o direito de ser si mesmo

Muito do sofrimento humano advém da negação do próprio jeito de ser e da legitimidade dos próprios desejos.  Negar a própria natureza e o que se quer de verdade gera muito sofrimento, inclusive doenças.

Já na infância, aprendemos a nos comportar, a sentir, a pensar e agir de acordo com o que esperam de nós. Assim somos moldados na “fôrma do ideal” de nossa família, sociedade e cultura. Crescemos muitas vezes repetindo o padrão do socialmente aceito e com isso anulamos nossas características verdadeiras, nossos desejos legítimos para agradar os que nos rodeiam, sejam eles amigos, familiares, filhos e amores. A recompensa de ser e de agir de acordo com o que se espera, é a sensação de ser aceito, querido e amado.  Contudo, o preço a ser pago é muito caro, consiste em deixar de construir uma vida baseada na própria verdade para caber nas necessidades dos outros, necessidades essas intermináveis que precisam sempre de nutrição para que tenham o seu apoio renovado.

Quando esquecemos quem somos pra ser quem o outro quer, desvalidamos nosso bem maior, que é o nosso jeito único de ser e o nosso livre arbítrio.  De tanto se adequar aos outros, nos distanciamos de nós mesmos. Deixando de dar importância a quem verdadeiramente somos, abafamos dentro do peito os nossos sonhos e vontades mais profundas, perdemos a noção da nossa individualidade e a construção da própria vida baseada na vontade interior.  

Por medo da não aceitação do outro, geramos uma rejeição bem mais cruel: a auto rejeição e a Auto anulação.

Você se rejeita quando tem medo de mostrar quem você é e o que você quer. Você se rejeita quando cala a própria voz e acata tudo o que o outro diz por puro medo de ser julgada. Você se rejeita quando deixa de fazer o que quer, de correr riscos e de cometer erros por medo de ser apontada e negada pelos outros. Você se rejeita quando vai contra o seu próprio ser pra agradar o próximo.

Às vezes se rejeita tanto, que quando menos espera, uma angustia profunda aparece com uma sensação de um forte aperto no coração e um gosto amargo na boca.   Assim, te tanto querer agradar o outro, desagrada a si mesmo ao ponto de criar muita dor e sofrimento emocional e físico.

Se assumir é dar apoio às próprias características, aos intentos mais íntimos e as próprias capacidades.

É preciso lembrar que o grau de felicidade é proporcional ao tratamento que damos a nós mesmos.

Quando nos damos espaço para ser o que somos, abrimos oportunidade para experiênciar o que de fato queremos, nos conectamos com o sentido da própria vida, desenvolvemos nossos dons tão preciosos e únicos. Agindo assim, o corpo e a mente ganham saúde e paz e a vida ganha sabor de prazer, conquista e sucesso.

Quem é você para você? O que você está precisando? O que você quer? Considere-se!

Nada é tão valioso quanto a liberdade de ser o que se é.

Vera Bastos