Música é saúde! Quem canta seus males espanta

Música também é saúde.

Já notou que certos sons te incomodam, mas, para outras pessoas, os mesmos sons passam despercebidos? Já se perguntou se um som ou uma música pode alterar o seu humor e a sua saúde? Você já se deu conta dos inúmeros sons que estão à sua volta o tempo todo? Já reparou como as pessoas mastigam em sincronização com as músicas ambientais nos restaurantes?

Será que certos ritmos, melodias ou sons diminuem sua energia, vitalidade ou contribuem para a paz e harmonia em sua vida?

Quer se perceba, quer não, os sons exercem muita influência sobre o nosso estado de ser — físico, psicológico e espiritual. Vivemos em um mundo sonoro, envolto em diversos e diferentes sons. É o som da televisão, de pessoas falando, do tráfego, de animais de diferentes espécies; é o som da chuva, do vento, da respiração, do coração etc. Vivemos numa “sonosfera”, em que aquilo que escutamos, de forma consciente ou não, afeta e altera as nossas emoções e todo o nosso funcionamento, ocasionando estresse, diminuição da vitalidade e da imunidade, ou elevando os ânimos e gerando saúde.

O mundo é som. O que não tem som, não tem vida. Tudo o que vive tem som e produz um som. Podemos verificar isso através do canto dos pássaros, do coaxar dos sapos, dos sons dos riachos, das cachoeiras, dos oceanos, do coração, da respiração, da circulação e da digestão.

Sabemos do valor da nutrição para uma vida com saúde. Mas não é apenas o alimento que altera o nosso bem-estar. Nossa saúde também pode ser perturbada pelo som e pela música. Como especialista em corpo e mente que se utiliza da musicoterapia na prática clínica, posso constatar os efeitos da música em nosso humor, no rendimento profissional, no desempenho físico, na memória e na inteligência.

Há muitos estudos que comprovam o poder de influência da música no nosso comportamento. Pesquisas feitas por cientistas da Universidade Bretagne-Sud, na França, constataram que aumentar o volume da música em bares eleva o consumo de álcool. Já em lojas de flores, músicas românticas provocam aumento das vendas dos seus produtos.

Os pesquisadores Laura Mitchell, Raymond MacDonald e Christina Knussen concluíram, em seus estudos, que ouvir uma música preferida durante períodos de dor pode aumentar, de forma significativa, a tolerância à mesma.

Sabendo que a música pode nos influenciar para o bem ou para o mal-estar, vale a pena aprender a perceber quais os sons nutritivos ou nocivos a que estamos expostos diariamente. Sons adequadamente escolhidos podem sempre ajudar a alcançar harmonia, equilíbrio físico e psicológico.

Falar de música é também falar de canções; é percorrer harmonias, melodias, ritmos, arranjos e poesias que cantam nossas histórias, nossos momentos e as diversas situações que passamos.

Há canções por toda parte. São canções de amor, canções dos carnavais, canções de protesto, cantigas de roda — histórias e memórias que se traduzem em música, em verso, em prosa.

Vamos a algumas canções:

“Tristeza, por favor vá embora
Minha alma que chora
Está vendo o meu fim
Fez do meu coração a sua moradia
Já é demais o meu penar
Quero voltar àquela vida de alegria
Quero de novo cantar…”
Tristeza, Haroldo Lobo e Niltinho

“Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega esse menino
Que tem medo de careta”
Folclore nacional

“Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz.”
O Que É, O Que É, Gonzaguinha

Quem, ao ler as letras das canções descritas acima, não foi tomado por uma leitura imediatamente musical?

Como disse Nietzsche:
“Sem música, a vida seria um erro.”

Vera Bastos